Esta é a história do nosso interrail pela China.
Na imagem de baixo podem ver o caminho que fizemos de comboio, marcado a vermelho. Viagens de 8 a 36 horas seguidas... mas valeu a pena =)

De mochila as costas lá partimos em direcção ao desconhecido. Ficámos sempre em hosteis, tipo pousadas para jovens, a dormir nos quartos mais baratos (dormitories), ou seja, camaratas de 6 a 10 pessoas, que partilhávamos com outras pessoas que também viajavam pela China.
Vimos uma data de monumentos, na sua maioria templos budistas, jardins enormes, etc. Basicamente o que fazíamos quando chegávamos a uma cidade era procurar por hosteis baratos e fazer o check-in para deixar as malas e andarmos mais á vontade. Depois era seguir a informação e os mapas do “Guia American Express – China” um calhamaço de 675 paginas com uma data de informação sobre os locais a ver, pontos de interesse, sitos em ficar, comes e bebes, etc. Este guia safou-nos á grande. O Rui de vez em quando lá falava com as gentes da cidade (ele teve aulas de mandarim no ISCTE, tem as bases mas não sabe muito… contudo sabe mais que nos lol).
Eis então o que se passou...
1ª cidade, Xanghai (Shangai) O nosso primeiro destino, revelou-se uma cidade bastante interessante. Nada mais nada menos que 16 milhões de habitantes, muitos deles estrangeiros, como tivemos a oportunidade de constactar. Ficamos num hostel razoável (e no entanto o mais caro da viagem...) no coração da cidade e fomos conhecer as redondezas. Começamos pelo Bund - a rua dos bancos, que tem um passeio á beira-rio gigante onde uma data de turistas passeiam de camara na mão e compram coisas a vendedores de rua, desde papagaios a deliciosas fatias de melancia. Daqui pode-se ver em grande plano a outra margem – Pudong, de onde se erguem magníficos edifícios – entre eles a imponente Torre da Perola Oriental. No primeiro dia, como estávamos moídos da vigem de 18h entre Guangzhou e Shangai, andamos nesse passeio do Bund e fomos a um jardim ali perto descontrair e relaxar os músculos.
No dia seguinte o Luís, o Carlitos e Alvaro foram á tal torre, a maior de toda a Asia, e a 3ª em termos mundiais! tendo pago 150 yuans - 15€ para ir á esfera mais alta da torre (350m) e ainda direito a ver o muito interessante Museu da História de Shangai. O Rui não foi, pois achou muito caro e ficou cá em baixo a passear enquanto nos viamos a vista lá de cima sobre a cidade. Havia muito nevoeiro e/ou poluição - como é habito na China - por isso não se via muito para o longe, mas via-se a outra margem - o Bund (avenida emblemática onde os primeiros estrangeiros contactaram com o povo chinês, constituída por edifícios centenários, essencialmente bancos e empresas. Na margem onde nos encontrávamos (Pudong) podíamos vislumbrar toda a nova Shangai, as dezenas de arranha-ceús que nasceram na década de 90 e princípio do novo século, e os que estão em construção. Impressionante. Essencialmente, aqui estão situadas as grandes empresas multinacionais, o que faz de Shangai a cidade “mais ocidental” da China.
No terceiro dia, “regressamos ao passado” e vimos a Casa do Chá, com pontes em forma de Z e nao a direito, porque acreditavam que os fantasmas nao conseguiam virar esquinas, então construíam assim para os afastar. Vimos ainda o mercado da zona velha da cidade, e vivemos toda a autenticidade do povo chinês, e das suas gentes, antes de partir de novo para outra cidade.
2º cidade, Suzhou. Nesta “pequena” cidade - se a compararmos com Shanghai - vimos um jardim enorme espectacular e os típicos mercados chineses, onde enfeiramos uma data de gravatas de seda ou “silka silka” como os comerciantes falavam lol Andamos também de barquinho, tipo gôndola, lá pelos canais da cidade, e por momentos sentimo-nos em Veneza. A mulher que nos veio “chatear” com o programa da viagem de barco, trazia umas fotografias de canais limpos e harmoniosos, com mercados e pessoas a vender coisas dentro de outros barcos e a vender coisas a partir de casas que ficavam na margem do canal…. e nós pensamos.. “hmm ok” Na realidade o canal era sujo e não havia nada de mercados, nem sequer um barco :S o homem que remava ainda deu um ar da sua graça ao entoar um cântico chinês, mas no geral levamos “banhada” ou por outras palavras, foi a 1º vez que fomos imbuídos em publicidade enganosa. Mas foram 45 minutos diferentes.
3º cidade, Nanjing, outrora capital da China, foi uma cidade que nos surpreendeu bastante - e pela positiva. Encontramos um hostel bem fixe, com grandes sofás, uma sala de cinema repleto de DVD’s e outra sala com mesa de bilhar onde nos viciámos umas horas. Mas a melhor descoberta de todas foi um restaurante italiano espectacular, o “Seizerata”, com pratos a 20 e 10 yuans (2 e 1 €, respectivamente), mas pratos deliciosos, bem compostos, a lembrar as grandes pizarias italianas. Como em Shangai e Suzhou não comemos lá muito bem (basicamente Mc Donalds e KFC) no Seizerata largamos algum dinheiro para comer que nem uns alarves. A primeira refeição foi uma pizza para cada um mais um prato de massa, e ainda 5 deliciosos pães de alho :X a conta terá ficado em cerca de 45 yuans 4,5€ por pessoa - o que na China já é um preço alto - mas ficámos de barriga cheia. Quanto aos ponto de interesse, vimos o Chaotian Gong (Palácio Celestial), o Fuzi Miao (Templo de Confúcio) e contemplámos o lago Xuanwu do topo de uma montanha, espécie de Monsanto daquela cidade, donde se via tudo e mais alguma coisa e onde fizemos até exercício com uns velhinhos lol. Vimos tambem a Porta Zhonghua e o parque Bailuzhou ali ao lado. Em 2 dias conseguimos conhecer razoavelmente bem Nanjing. Uma cidade bela, e que conjuga muito bem a modernidade dos novos edifícios e o tradicionalismo dos templos e jardins.
De noite, Nanjing era uma cidade bastante animada, com muita gente na rua e animação, a lembrar o nosso S.António. Jantámos uma vez rua que ficava num bairro onde a partir das 22h montam mesas e cadeiras de tasca. Nos passeios grandes, ao pé da estrada montavam autênticos restaurantes, com fogões (alimentados a botijas de gás), panelas, frigideiras, grelhadores para assar peixe, carne, vegetais etc, e ali ficavam os grupos de amigos a conviver e a passar um bom bocado. Comemos um delicioso peixe semi-cozido/semi-frito, não sabemos bem, parecia tipo refugado em forno mas não era… o que interessa é que estava muito bom! No entanto não se compara ao nosso. Era peixe pequeno e com algumas espinhas, mais que o normal, mas como já á muito que não comíamos peixe – foi talvez a 1º vez que comemos desde que estamos na China - soube mesmo bem eheheh.
4º cidade - Jinan & Tai Shan Viemos a esta pequena cidade com o objectivo de ir á montanha Tai Shan. Para tal tivemos que parar primeiro em Jinan e de seguida apanhar o comboio para Tai Shan, pois não havia comboio directo de Nanjing para o monte.
Tai Shan revelou-se uma prova de fogo. O Monte Pacífico, como também é conhecido, é o mais venerado dos cinco montes taoistas da China, e nele sobem milhares de peregrinos todos os anos, em sinal de respeito e devoção. Nós subimos, em sinal de descoberta e curiosidade, mas nunca imaginámos a dureza que a subida escondia.
A subida ao cume da montanha começa com dezenas de lojas de souvernires, que vendem tudo e mais alguma coisa. De inicio, quando vimos a primeira “subida” pensamos, “ah no fim desta subida acaba, ok..” (do inicio até á primeira subida a sério ainda andamos um bocado grande) mas depois de subirmos a primeira, a segunda e a terceira, verificámos que ainda havia muitas mais lol. Ao longo da subida surgem várias portas, que marcam diferentes altitudes, estilo check-point, e também vários templos, onde os devotos queimam incenso e rezam às divindades. Levamos cerca de 5h a subir, tendo parado apenas por duas vezes para comprar água e tirar umas fotos.
Lá em cima era alta ventania e com o fim da tarde a temperatura começava a arrefecer. Havia uma pequena cidade com lojas para o turista, barracas, cafés e restaurantes pequenos e ainda um pequeno hospital. Havia também um hotel/pousada, para acolher os muitos peregrinos que iam chegando completamente estafados após a longa jornada. O problema é que havia ainda metade do caminho para fazer e não havia maneira de descer a não ser… a pé. Às horas a que chegamos lá acima (19h) já não havia transportes para baixo (o teleférico fechara as 18h), não havia carros porque não existiam estradas dos 900 metros para cima. Então, após termos matado a fome com uns noodles de carne de sabor duvidoso e de tirarmos umas fotos pá posteridade, tivemos que descer aquilo tudo, e fazer um grande esforço porque tínhamos comprado bilhete de comboio para Pequim às 22h, e não o podíamos perder de maneira nenhuma. Descer foi mais fácil, sempre a abrir a descer escadas :S mas o cair da noite e o íngreme da descida tornaram a tarefa mais difícil. Por várias vezes tropeçamos nos degraus, julgando não haver, ou noutras vezes, descíamos quando não havia degraus. Por sorte não caímos nem nos alijámos. Vimos uma data de gente a começar a subir de lanterna na mão, grupos e grupos de pessoas, malta da nossa idade, para eles aquilo iria durar a noite toda até de manha. Iam a falar e a fazer pausas. Alguns até pernoitavam no meio da montanha. Nós, apesar das pernas já começarem a falhar, foi sempre a andar. Não havia tempo para parar. Conseguimos apanhar o comboio a tempo, por dois ou três minutos, todos suados da subida e descida. Dormimos na carruagem e quando chegamos a Beijing foi encontrar um hostal, tomar banho e dormir novamente.. uff!
5º Beijing (Pequim). A capital da China é uma cidade enorme. Quando chegamos, foi um bico de obra para darmos com o hostel (tinham-nos dado referencias e cartões de hosteis noutras cidades, em Nanjing), mas o hostel ficava no meio dum bairro dentro da cidade e os taxistas nunca sabiam dar com o sitio. Em Beijing, todos duridos da subida ao Tai Shan, vimos uma data de edifícios históricos, como as Torres do Tambor e do Sino, a famosa praça Tian’an Men onde vimos cerca de 30 chineses com escovas de ferro a tirar pastilha elastica do chão, e claro, toda a grandeza da praça em si, a bandeira nacional, o retrato de Mao Tse Tung em grande plano, a entrada para a Cidade Proibida, que fica a norte da praça, e que também fomos explorar.
Andamos aínda pelo parque Jing Shan, vimos o templo dos Lamas que ficava perto do bairro onde era o nosso hostel, passeamos pelo parque Bei Hai e aínda pela avenida pedonal Wangfujing, uma rua comercial com lojas de grandes marcas internacionais, com grandes preços. Tentamos ainda ver a cidade subterranea mas nao demos com o sitio :S, em vez disso fomos para outro bairro na zona da cidade subterrânea, nos confins de Pequim, que tinha um vasto número de lojas onde compramos mais umas gravatas de “silka, silka”, e umas t-shirts catitas lol.
No dia seguinte, fomos ver finalmente uma das 7 maravilhas do mundo, a Grande Muralha da China! A cerca de uma hora de Pequim, a parte mais famosa da muralha – Badaling – é realmente um monumento grandioso que nos custou uns meros 2,5€! Vá mais os autocarros a caminho da muralha que foram 2,4€ e 4,9€, mas para ver uma das maravilhas do mundo, é incrivelmente barato. Percorremos um bocado da muralha, incluindo escadas! (o que nos custou um pouco tal o nosso trauma), tiramos umas fotos para mais tarde recordar, e toca a voltar para traz, para a entrada, não sem antes vermos um macaco na muralha eheheh Mesmo fixe, vida selvagem na muralha, tivemos sorte!
6º cidade Datong. Nesta cidade fomos ver, como diz no guia, e é na realidade, “o espectacular Templo Suspenso (Xuankong Shi), em Heng Shan”. Um templo que foi contruido nos rebordos de uma montanha e se encontra suspenso por vigas de madeira! K. Depois deste templo, fomos ver as grutas de Yungang. No interior destas grutas haviam budhas enormes de pedra. O caminho para o templo e para as grutas levou cerca de uma hora e meia a fazer. Da cidade até ao templo por estradas que pareciam caminhos de cabras, com buracos por todo o lado e pedras... o mesmo se passou do templo a caminho das grutas. Fomos numa carrinha-taxi que fez o serviço por um preço simbólico e tentámos descansar durante a viagem, o que foi praticamente impossível tal era a turbulência. Datong foi das cidades mais pobres que vimos. Parecia um cenário de guerra, com as ruas todas sujas e esburacadas e de vez em quando via-se passar uma carrinha do exercito.
7º cidade (e ultima), Xian. A caminho de Xian tivemos um incidente e separamo-nos. Acabaram por ir só o Luís e o Rui. Em Datong, quando iamos comprar os bilhetes para Xian, ja só havia bilhetes em pé, mas mesmo assim, porque não tínhamos intenções de passar uma noite em Datong, decidimos arriscar. Quando nos dirigíamos para a carruagem, sabíamos que era das ultimas, mas nenhum de nos viu qual era mesmo, então andamos e andamos na plataforma a ver as carrugens cheias, mas cheias de gente, mais do que o normal. Andámos, andámos (como tínhamos bilhete em pé procuramos por uma carrugem que tivesse menos cheia) e no fim acabamos por ficar na ultima carruagem, a carrugem 16 ! Sabíamos la nós, no que nos tinhamos metido. De inicio claro, nao tinhamos lugar, mas foi na boa, arrumamos as coisas e pronto lá permanecemos em pé ate á próxima paragem. Na paragem seguinte, saiu uma dezena de pessoas mas entraram cerca de 30 e ficamos meio apertados e continuamos em pé… “hmmm” começamos a ver as coisas mal paradas porque a viagem iria ser de 16h, mas continuamos até á proxima paragem. Conseguimos mover-nos até ao corredor do comboio, perto da porta de entrada, e fomos jogar às cartas, em plena comunhão com os chineses que também iam com bilhete de pé. No entanto, na paragem seguinte foi o desespero. A mulherzinha do comboio abriu a porta e após terem saído não mais que 10 pessoas, viam-se mais de 30 todas com a sua trouxa - que era normalmente um malão improvisado quase do tamanho da propria pessoa - a quererem entrar á força, como se dentro do comboio estivesse ouro ou qualquer coisa do género. Entraram as primeiras 20 e ficou tudo, mas tudo mais que apertado, pareciamos sardinhas em lata, e as outras 10 continuavam a empurar e a empurar para entrar, a falar chines em desespero a dizer qualquer coisa como “andem que eu quero entrar”... nós ficamos completamente esmagados e a ser atropelados pelos que queriam desesperadamente entrar na carruagem. O Carlitos, que estava com problemas a respirar, começou a não gostar mesmo nada da situação e a gritar em inglês e português – chinês não altura não lhe ocorreu - para as pessoas pararem de entrar porque já não dava - e não dava mesmo - mas elas continuavam a entrar e a forçar entrar, entao o Carlitos começou a sacudir e a subir para cima das pessoas porque já nao conseguia estar dentro da carrugem e queria sair naquela paragem. Os outros 3 pensaram o mesmo. “Se vão ser ainda mais 13h assim não dá.” Começamos também a gritar lá para fora para a mulherzinha do comboio, que não dava e a apontar para as pessoas e para nós e ela fez um olhar de “pois.. não posso fazer nada” então começamos todos também a sacudir pessoas. O Carlitos ao tentar sair e a empurrar as pessoas lá fez com que se desviassem abrindo caminho. Saiu depois o Alvaro para ir ter com ele o Luís, muito rápido, tentou ir buscar as bagagens de todos para sairmos dali e apanhar outro comboio. O Rui, estava na porta a fazer de elo de ligação, então o Luís empurrou tudo e todos, passou pa dentro da carrugem, subiu para cima dos bancos e começou a tirar as malas e a manda-las para porta. As pessoas levaram com a primeira em cima e depois lá perceberam que iamos sair e então começaram a ajudar porque de inicio pareciam animais, so queriam estar dentro da carruagem custe o que custasse. O Luís passou as malas todas para porta, o Rui passou algumas lá para fora e quando tentavam ir para a porta, esta fechou-se e o comboio arrancou... não esperando por nós... Ficou então o Luís e o Rui no comboio com duas malas de roupa e o Alvaro e o Carlitos com as restantes, naquela estação, sabíamos lá nós aonde, no meio do nada, num sítio qualquer no norte da China. Com a pouca bateria que nos restava lá comunicamos uns com os outros e decidimos encontrar-nos na proxima paragem. A caminho desta o Luís e o Rui repararam que o bilhete era em pé, mas na carruagem 11 e nao na última onde estávamos. Esta era para os mais pobres, que compraram o bilhete mais barato de todos. Por essa razão é que estava ali amontoada tanta mas tanta gente numa só carruagem. Se houvesse algum acidente, se alguém se sentisse mal naquela carrugem acho que se ficava ali... era impossível alguém se mexer e quando alguém começava a fumar o seu cigarro, respirar tornava-se uma tarefa complicada. Luis e Rui, depois de falarem por mensagens decidiram que em termos de custos era melhor continuar até Xian, em vez de saírem na proxima paragem, e esperar pelos outros dois, que tinham que comprar outro bilhete para aquela paragem e depois os 4 comprarmos bilhete outra vez para Xian. Assim pensaram em fazer a viagem até ao fim, apesar de só terem duas malas (mas de roupa, a comida estava nas mochilas que tinham ficado com o Alvaro e o Carlitos. Então, na paragem seguinte, mudámos de carrugem, para a carrugem 11, e fizemos a viagem até ao fim cheios da fome lol. Chegados a Xian, fomos para um hostel e tomamos um valente banho e dormimos umas horas.. uff depois mais tarde, o Alvaro e o Carlitos lá nos ligaram a dizer que eles iam para Guangzhou, pois tinham aulas dali a dois dias. Em Xian não vimos muito. Andámos pela cidade as ver as coisas. Não fomos a nenhum local historio, templo ou museu, fomos sim a um bairro de comercio muçulmano em que os preços das coisas eram muita caros e so se viam camones americanos e suecos etc. No dia seguinte fomos ver o que queriamos ver, o Exército de Soldados Terra Cota nos arredores da cidade. A zona onde descobriram os soldados estava dividida em 3 pavilhões: o principal em que ja estavam levantados bastantes soldados. Dizem que cada soldado tem uma cara diferente, não reparámos bem se isso era verdade. Ao Luís pareceu-lhe que sim, mas eram tantos, talvez lá no meio houvessem uns repetidos. lol O Rui tirou fotografias, mais tarde tira-se isso a limpo. No pavilhão principal haviam bastantes soldados a descoberto mas tambem bastante terreno por “escavar”/trabalhar, e alguns soldados a ser reconstruídos. Nos outros pavilhões haviam também carruagens e cavalos mas em menor número e existiam igualmente salas com souvenires de soldadinhos e soldados grandes de plástico, talvez para se tirar uma foto. Foi engraçado.
Na volta perdemos o comboio de Xian para Guagnzhou ;S tivemos que apanhar no dia seguinte á mesma hora etc. ... apanhamos o comboio mas desta vez viemos em camas. Compramos bilhete com cama dura - a pensar que a viagem ia ser de 16h - porque era a ultima viagem (a de volta a casa) e pelo que tínhamos passado até Xian e mesmo noutras viagens em que compramos bilhete em pé (apesar de nunca termos ido sempre a viagem toda em pé, porque pessoas saiam em certas estações e depois ficavamos com o lugar delas). A meio da viagem, apercebemo-nos que afinal esta era de 28h e nao 16h... (ainda bem que tinhamos cama senao :S) ufff.
Xuzhou (e não Suzhou)
Aínda a tentarem refazer-se do episódio que se passara naquela carruagem, Alvaro e Carlitos trataram de ir procurar na bilheteira o próximo comboio, para se encontrarem com os outros dois. Infelizmente, naquela terriola o próximo comboio para Xian era no dia seguinte, á tarde. Fizemos então um reconhecimento ao local e concluímos que estávamos algures no meio da China, numa pequena vila chamada Xuzhou (e não a nossa conhecida Suzhou, como pensámos por momentos). O que vimos era um cenário semelhante a Datong, mas mais desolador. Casas em ruínas, estradas esburacadas e centenas de chineses a rumar á estação “com a casa as costas” desejosos de apanhar o comboio, na sua maioria pedreiros e comerciantes, que partiam para outras cidades em busca de trabalho. Olhavam para nós admirados como se fosse a primeira vez que viam um ocidental na vida. Outros sorriam e diziam adeus, e ficavam maravilhados quando lhes respondíamos “Nihao”, Olá em chinês. Naquela vila no meio do nada, ninguém falava inglês. A única maneira de nos safarmos era a linguagem gestual, e uma ou outra frase em chinês que sabíamos. Ficámos com raiva de nós próprios por não saber mais de mandarim. Concluímos então que só havia uma solução: carregar o telemóvel algures na estação e telefonar a algum amigo chinês que nos safasse. Depois de um diálogo fantástico via telemóvel entre o Carlitos e uma amiga nossa de Guangzhou, a Hestia, e por sua vez, entre esta e vários polícias chineses e algum pessoal da estação de comboio, de forma a explicar toda a situação que nos acabara de acontecer, e explicar que queríamos trocar o bilhete por outro para algures… lá nos conseguimos todos entender uns aos outros e arranjar bilhetes para a cidade mais próxima, Taiyuan, onde segundo percebemos podíamos apanhar comboios para Xian, Guangzhou e outras cidades. Álvaro e Carlitos, foram por momentos a atracão principal daquela estação de comboios. Saímos de lá 3 horas depois, com os polícias e os guardas da estação como nossos melhores amigos, todos felizes por ajudarem dois acidentais, e para nossa surpresa, meteram-nos numa carruagem de 1ª classe.
Taiyuan – 5 horas depois chegámos a Taiyuan. Depois de guardarmos as mochilas na estação e comermos o farnel dos nossos amigos :P fomos ver o que se passava por ali. Às horas que chegámos (6 da manhã, talvez), ainda a cidade estava a acordar. Decidimos então abancarmo-nos num banco de jardim a ver os madrugadores a fazer o Tai Chi e a praticar Badminton.
Com o avançar do dia, fomos contribuir para o PIB chinês, fazendo o melhor que sabiámos: Comprar! Deambulámos por um mercado gigante de roupa, e pelo meio cruzávamo-nos com os transeuntes que olhavam para nós ocidentais com um sorriso nos lábios, á boa maneira chinesa.
Já com o bilhete para Guangzhou na mão, fomos matar tempo até outro mercado, mais refundido, essencialmente de comes e bebes e aproveitámos para nos abastecer para a viagem até casa. Ás 00:00 desse dia, lá apanhámos o comboio - que por descuido íamos perdendo – pensando que íamos chegar ás 11h do dia seguinte. Não podíamos estar mais enganados. Era as 11h sim, mas do dia a seguir, ou seja, mais 24 horas do que estávamos á espera. 36 horas dentro daquela carruagem foram suficientes para conhecer a fundo cada um dos passageiros do comboio, para dormir alguma coisa, comer, voltar a dormir, ver a paisagem, desesperar por nunca mais chegarmos, dormir, falar…
Chegámos a Guangzhou, e fomos recebidos por um chuvada e um calor insuportáveis, mas estávamos felizes por estar de volta a casa. Um dia depois, o Luís e o Rui chegaram.
Foi mais ou menos assim o nosso Interrail pela China de quase 3 semanas. Muito fixe, cansativo, muitas horas de comboio, algumas aventuras e grandes compras pelo meio. Para além dos locais lindíssimos e impressionantes que vimos, conhecemos pessoas que como nós viajavam ou viviam na China e sentimos de perto a amabilidade do povo chinês, que sempre nos recebeu bem.
Life is backpacking!
Foi no passado dia 7 de Maio que a Tocha Olímpica passou pela cidade de Guangzhou, mais precisamente na rua onde moramos, a Binjiang Donglu. É difícil explicar por palavras a agitação e a alegria do povo chinês perante a chegada da personalisade chinesa - que não fazemos ideia quem seria - carregando a tocha.
Um momento admirável, sem dúvida. Viva a China!
PS: O nosso agradecimento aos 15 internautas que já votaram na próxima viagem. Está uma luta interessante entre Cambodja e Vietname. Veremos quem leva a melhor. Continuem a votar!
Chegados a Guangzhou, pois que fomos descobrir a cidade e as suas gentes...

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